terça-feira, 26 de julho de 2016

Nossa memória e suas prioridades.

É próprio do ser querer guardar lembranças, com o objetivo de revivê-las depois. Seja para contar à posteridade, seja para contar aos filhos e netos, para narrar naquele encontro de familiares e de amigos ou para ser contada como piada, o importante é dar mais vida, é tentar eternizar àquele instante que consideramos importante por algum motivo, ou por motivos vários.

Mas na prática não é tão simples assim; às vezes, no calor da vivência, pensamos: “isso nunca esquecerei”, e até já criamos um colorido para contar de forma engraçada. Mas nem todos os dias é dia santo, daí acontecem outras coisas e esquecemos, o dia finda, e não contamos a ninguém. Os dias passam e com ele também se vão aquelas lembranças, que acreditamos que não as esqueceríamos. Às vezes, só lembramos “encarnação”(muito tempo) depois; aí não sabemos mais para quem queríamos falar, e por que carregam aqueles sentimentos; nada mais tem as mesmas cores agora, só sentimos o que não sabemos mais explicar. 

Nossa memória é bem interessante. Às vezes, o que consideramos importante não é o que lembramos depois; é como se ela tivesse vida própria e os seus critérios de armazenamento fossem diferentes dos nossos. Sei que existe uma lógica nisso tudo. Talvez o que nos marque não seja os acontecimentos que pensamos ter valores, que pensamos ser importantes; é como se nossa mente nos conhecesse melhor do que nós mesmos.

Às vezes, fico impressionada o como lembro de banalidades; coisas tão sem nexo de tempos remotos que acho sem nenhuma finalidade. Enquanto tento lembrar de coisas que considero importantes e não consigo, ou coisas que foram tão engraçadas. Sorrimos com tanta intensidade: verdadeiras gargalhadas, aqueles momentos mágicos que desejamos não ter fim, que buscamos eternizá-los em um graveto qualquer ali ao alcance da mão; uma folha seca, um grão de arreia que estaria predestinada a carregar o peso de uma tempestade. Por isso aprendi uma lição: se quero eternizar um instante, escrevo sobre ele com riquezas de detalhes. Assim sempre que eu ler saberei exatamente o que senti e vivi; já as lembranças que considero sem importância aprendi reavaliar e encontrar um sentido. 
 
Temos na verdade um mecanismo de defesa, em que ela nos protege às vezes de nós mesmos, nos poupa de certas lembranças para evitar sofrimentos; também age como mecanismo de diretrizes nos intuindo o certo e o errado, como um guia universal, nos dando aquela sensação do certo a fazer. Ela guarda coisas que no primeiro momento não vemos relevância e só em um segundo momento percebemos como isso funciona e vemos que cada coisa tem uma finalidade uma razão de ser e estar.

AnnaLírios




 Foto de AnnaLírios


segunda-feira, 18 de julho de 2016

6 meses de existência

Hoje é um dia muito FELIZ para o blog Anna Lírios em Letras. Tenho muito a agradecer a todos que visitam o Blog e através dos comentários me incentivam a continuar escrevendo. Muito obrigado pelas visitas, pelos comentários e pelos novos laços de amizades que estamos construindo, agradeço de coração, sintam-se abraçados por minhas palavras.

Anna Lírios em Letras está completando 6 meses de existência, de letras que falam, que sentem, que tentam transmitir um ser que vive tentando desvendar o segredo do viver com vida. Que se mostra como realmente é, sem máscaras, sendo o que de fato é, na busca constante de saber por que é como é.

Grata estou por essa data, na certeza de que, ainda como criança em evolução que sou, com perseverança e boa vontade, irei aprender cada vez mais nesse universo da escrita. Aqui trilho meus primeiros passos ainda cambaleando nas tantas descobertas de cada dia, com alegria tanta que não caberia em um só sorriso, meu coração vibra em ondas de esperança e felicidades, enchendo o meu viver de vida, deixando tudo mais colorido e cheio de luz.
  
A escrita para mim é mais que uma terapia, um hobby ou coisa assim; para mim a escrita é um libertar-se, um espreguiçar de alma e espírito, um voo de soltura de tudo que é denso, que prende, que intimida, que dissimula, que tenta impedir o que é, o que está sendo por si só, e o porquê de ser o que é.

O objetivo desse blog, como falei na apresentação, é escrever sobre a cultura onde nasci e me criei, por em letras minha vida antes mesmo do meu nascimento até os dias de hoje. Enquanto organizo meus inúmeros rascunhos do decorrer de muitos anos que sonho em ter minha história em letras, como forma de eternizá-la, vou escrevendo textos soltos sobre meus sentimentos e acontecimentos diversos que meus sentidos imploram para eternizar.

Para comemorar esses 6 meses de existência do blog criei uma página no face
E para os que quiserem meu face aqui está!!! 
Também estou no Twitter e no G +




Abraços de letras que sorri em versos!!!
Que se encontra nas palavras que se perdem!!!
Que sente a emoção que expressa!!!
E vive a alegria do instante que se despedem!!!



Meu muito obrigada cheio de gratidão!!!
Paz e Luz a Todos!!!



Foto retirada do site.




Obs:
Resolvi utilizar uma imagem da internet porque a que eu criei não ficou muito bunitinha não... kkkk 

Mas, como diz o ditado o que vale é a intenção, acreditando nesse ditado, e ciente do amor que ela carrega, resolvi postar ela também!!!

Criação de Anna Lírios, rsrs



quarta-feira, 13 de julho de 2016

Gatilhos da vida.


Quem nunca sentiu aquela impressão de que já conhece aquele lugar, já esteve ali, aquela paisagem lhe é familiar, de alguma forma, sente que já viveu aquele momento, ou naquele cenário. Tem leves ou fortes impressões de que já conhece aquela pessoa, mais de nada lembra, só sente...?

Podemos ter essas lembranças tanto em ambientes físicos como em situações ou com pessoas. Às vezes o gatilho para essas lembranças é uma música, um som, uma frase, um aroma, um sabor, uma estampa, uma textura, um gesto e na velocidade da luz nos transportamos para um momento no tempo e no espaço que não conseguimos identificar, só sabemos que estamos vivenciando algo já vivido em algum tempo, que não lembramos mais, só guardamos os sentimentos.

Essas impressões são tão fortes, que não nos deixam dúvida, estamos diante de uma repetição, a depender da carga emotiva que ela carrega, tanto podemos sentir profunda alegria como grande tristeza, às vezes podemos dar crises de risos ou chorarmos compulsivamente, e nos casos leves, sentimos tudo com leveza, tendo a certeza mesmo sem conseguir expressar com palavras, sabemos que de alguma forma já vivenciamos aquilo em algum tempo.

Às vezes essas saudades chegam sem um motivo aparente, aperta forte o peito sufocando a alma, procuramos o porquê, o que é, mas nada encontramos, sentimos forte saudades do que não sabemos o que é, queremos reviver não sei o que. Em alguns casos chegamos a criar imagens tentando de alguma forma nos transportar para outra dimensão, sentimos como um forte chamado, parece que algo em algum lugar do cosmo nos pertence.

Um dia, em uma viagem, parei em um posto de gasolina, enquanto o carro era abastecido me afastei um pouco olhando a paisagem, as árvores, as flores e os pássaros, logo a frente avistei em uma sobra um banquinho, caminhei até lá e me sentei, continuei observando aquele lugar lindo. Os meus sentimentos eu já os sentia diferente, quando eu olhei para o meu lado direito, eu já não me reconhecia, eu não era mais eu, aquela paisagem que se descobria a meus olhos, aquele campo profundo em seus verdes, me levou não sei dizer para onde, só sei que eu queria com todas as forças do meu ser, viver aquilo tudo novamente.

Em um outro dia eu estava ouvindo uma canção que fez grande sucesso, muito antes do meu nascimento. Essa experiência foi diferente, com a música consegui sentir cheiro que nunca senti, consegui ver pessoas com vestes antigas, senti fortes saudades, mas também não sei bem do que.

Eu tive uma amiga durante um bom período de minha vida, que tínhamos forte ligação, eu a conheci já em sua adolescência, logo nos tornamos melhores amigas, eu diria até que fomos almas gêmeas, amigas-irmãs tamanha era a nossa conexão. Me recordo que quando ela me falava da infância dela eu sentia forte saudades daquela alegria que ela me narrava, eu não entendia e às vezes eu expulsava aquele sentimento, eu pensava: “Não pode ser normal, sentir saudades de vivencias que não vivi”. E nesse caso como eu podia sentir saudades do passado dos outros que eu nem lá estava...?
Uma coisa eu aprendi com o tempo, nem tudo passa, às vezes as coisas só mudam de nome e endereço.

Anna Lírios

***

Resolvi escrever sobre minhas impressões a respeito desse assunto para tentar de alguma forma compreender como, e principalmente por que, acontecem esses gatilhos, uns até sabemos ou imaginamos qual seria a sua causa, o que o despertou, outros porém não conseguimos sequer identificar o que lhe desencadeou e muito menos o seu propósito. 

Essa foto é um gatilho compreendido, eu olho para ela e lembra da tarde em que esse visitante me surpreendeu com sua leveza e paz.

Porém minha maior inquietação é a respeito das lembranças que não vivi e que também não foram vividas por ninguém que eu tenha tido conhecimento, ou seja, lembro e sinto saudades do que não vivi e nem sei quem viveu. Como a "música" que me remete ao um tempo e a imagens que sei lá de quem são ou de onde vêm...  

Como já falei em outro texto uma fração de segundos que pode carregar um mar de sensações, um simples instante e tanto podemos sentir, e mais ainda guardamos como a poupar para sentir mais tarde, esses temos como compreender.

Algumas lembranças, tenho a impressão que, com o tempo foram realmente multiplicadas as emoções, como se diz de um bom vinho, quanto mais velho mais sabor tem. 


Foto de Anna Lírios

"Um dia eu escrevo sobre essa foto, sobre esse visitante que em uma tarde me roubou risos e deixou meu coração feliz a meditar sobre a vida..."


terça-feira, 5 de julho de 2016

Alento para a alma




Enormes tormentos nos visitam, nos fragilizando o íntimo: grandes dores, profundas tristezas, eternas saudades, sensação de morte. Assim nos sentimos na maioria das vezes em que a separação física nos sobrevém. Embora esteja bem perto, dentro do nosso coração, está longe do nosso olhar, nosso abraçar. Os sentimos com todas as forças do ser, mas, não mais tocamos. A sensação de que não veremos mais o mesmo riso, o mesmo olhar, a mesma presença, não viveremos mais novas histórias, sendo os mesmos personagens, paralisa o nosso viver e a angúst,ia e o desalento nos arrebata de súbito nos torturando sem trégua.

Aqueles planos para o futuro não acontecerão mais, as palavras que não foram ditas, os momentos que não foram vividos, os sentimentos que não foram expressados, as ligações, afeições que nem imaginávamos que existiam, e que saltam desesperadamente, rasgam nossa alma a despedaçar todos os ossos sem piedade, dilaceram nosso ser, não temos mais forças para pensar, é como se todos os pensamentos tivessem se esvaído, só restasse o pungente vazio daquela terrível realidade.  

É aqui que muitas vezes entra a importância dos rituais (que é o conjunto de práticas consagradas por tradições.) e da simbologia (a arte de criar símbolos.). Tentamos através desses, cada um de acordo com suas crenças, nos aproximarmos, nos despedirmos ou nos apropriarmos de um objeto que nos remete a lembrança viva do ser amado: como uma vasilha que ele usava para beber água. Temos aqui uma parte, um pedaço dele, na certeza da união de sentimentos e pensamentos. Muitas vezes é através de toda a simbologia que os rituais carregam que aliviamos nossa dor, nosso penar. Temos em nossa fé um alento para nossa alma, que chora, grita e se desespera com essa grande dor que nos devora. Quando sepultamos, quando oferecemos flores, velas, orações, conseguimos lavar de certa forma, nossa alma com lágrimas balsamizastes. 
  
Um novo olhar é preciso, é necessário compreender os porquês da vida ou pelo menos tentar. Todos nós temos nossas impressões sobre a vida e a morte. Aqui uso esses termos porque eles são os mais universais. Não falo aqui de crenças individuais como sendo ou não sendo o certo ou o errado, falo de tentarmos refletir, entender o que já confessamos acreditar, falo de nos botarmos a estudo, a pesquisa, a reavaliações, a testes, para ver se as nossas atitudes, nosso pensar e sentir, condizem com as convicções que acreditamos abraçar. O objetivo é tentar entender segundo a nossa doutrina, o que acontece com os nossos sentimentos, com o nosso eu, diante das tempestades impetuosas da vida, e por fim tentar compreender o porquê das dores do mundo.

Anna Lírios

***


Esse texto foi escrito, em um momento de grande dor para mim, um ser muito caro fez sua viajem para outro plano não físico. A dor da separação nos faz rever nossos conceitos, nossa visão de mundo, existência, missão, caminhada e de valores.


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