terça-feira, 28 de junho de 2016

Saudades de vivencias que não vivi.

Caminhávamos em um fim de tarde cheio de risos e contentamento. Eu, feliz por estar conhecendo uma cidade nova de belíssima paisagem, ar puro, paisagem verde, estrada de areia em suas veredas de árvores frondosas formando um caminho de sombras e vento agradável, na companhia de uma amiga em meias conversas de muito entusiasmo.

De repente ela parou, o sorriso sessou, o olhar perdido no nada de repente fixou em algo, ali fincou seus pés naquela areia branca e solta que cobria suas alparcatas, não se movia, não falava, em seu rosto desconhecia aquela expressão, minutos atrás tão cheia de vida e euforia, agora parecia uma outra pessoa, o que estaria acontecendo?

Não tive nem tempo para ter medo, de tão assombrada que eu estava, eu nunca, em todo longo tempo de amizade, tinha lhe visto com aquela expressão. Em frações de segundo um mundo de pensamentos invadiam minha mente, o que ela poderia estar sentindo... logo me propus a ajudá-la, seu rosto avermelhado com a voz embargada, me falava de suas lembranças de outros tempos ali, na sombra daquela arvore perto daquele passadiço, onde por muitas vezes passava com seus pais quando criança, e ele sempre lhe contava a história daquele passadiço com aquela voz alta dele, a risada estrondosa, aquele jeito de pai protetor e feliz, contava que em uma manhã de primavera quando ela nascera, ele estava ali trabalhando e saíra nas carreiras esquecendo seu feijão com rapadura, para poder ver seu primogênito nascer, ele contava com muita graça, sempre lhe aumentando algo, fazendo floreios, falava que tinha sido presenteado por Deus com uma filha, que num fundo era o que ele desejava e só falava que era um menino pra surpresa ser maior, contava que quando voltou no outro dia pra terminar o passadiço o seu cavalo ainda estava ali terminando de comer a rapadura, que estava poupando, enquanto pastorava as estacas para ele.

Ela não continha as lágrimas, seu pai e sua mãe já haviam feito a viajem deles, já não estava entre nós. Sem perceber eu estava também em lagrimas com saudades de um tempo que não vivi, meu peito também doía, em minutos estávamos as duas em profunda melancolia a vivenciar novamente aqueles tempos remotos.

Passamos um bom tempo ali, mergulhadas nas lembranças dela que agora também eram minhas, sem saber explicar aquela dor aquela saudade, me tocava no fundo da alma, ela ia descrevendo as lembranças dela, e eu ia vendo em minha mente as imagens se processando, era tudo tão real, que meu peito não aguentava tamanho sofrer, e em meus olhos trasbordava a dor.

Como pode um passadiço, uma paisagem, uma coisa qualquer, guardar tamanho sentimento, carregando por tantos anos histórias cheias de emoções, de vida, que não se perde com o tempo, de sentimentos tantos que nem a chuva nem o sol nem as erosões dos anos conseguem arrancá-las, que natureza é essa que registra e armazena, com perfeita precisão, sentimentos que adormecem com o tempo, e um dia, ao tocar em nosso olhar, eis que, ali trazendo a vida com forte pulsação, ressuscita, ressurge, volta a respirar o mesmo ar, a mesma brisa, se ver criança de novo ao sentir o calor e o cheiro de outrora...???

Anna Lírios

Fotos de Maria Santos Cogo

***


Esse texto narra um momento que foi vivenciado por mim e uma grande amiga, ela me permitiu pôr em letras aquele nosso passeio, porém não querendo ser ela identificada, fiz como o sábio pai dela, escrevi fazendo uns floreios.






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terça-feira, 21 de junho de 2016

O meu quintal tem a cor dos meus pensamentos


No meu quintal tem arvores, flores e frutos, sua maior parte é de arreia, tem pedras e folhas, sombras e sol, vento e sentimentos, tem gatos e cachorro, pássaros e muita imaginação, por muitas vezes me alimento dele, converso, brinco, me alegro me encontro, me sinto abraçada e por muitas vezes sinto que minha presença é festejada, desejada, sinto que sou compreendida, amada.

Meu quintal tem a cor dos meus pensamentos, o gosto de meus sentimentos, dias ele tem gosto de pera com cereja, tem a cor alaranjada, tem cheiro de alegria, respiro felicidade comendo com os sentidos o meu quintal acerejado, fruto dos meus sentimentos.

Mais nem todos os dias é dia santo, e o verde lima surge, trazendo com ele um gosto um tanto cítrico, tem cheiro de limão, de esperança, nesses dias bebo a limonada da fruta sol, na esperança e quase certeza de dias melhores, de renovação, me sinto centrada e me perco em meus sonhos e projetos de melhoras.

Como a vida sempre segue seu curso, como mestra a nos ensinar constantemente, eis que os dias cinzas com gosto amargo de fel chegam, e meu quintal pobre quintal, tão cheio de vida, murcha, escurece, incapaz de me oferecer o fel, o doloroso aprendizado preciso, sem compreender o que se passa, tenta sem êxito livrar-me de tamanho sofrimento que cobre o meu semblante em lágrimas pungentes.

Graças a Deus tudo passa, nem um sofrimento é eterno, eis que os dias de sol brilhante depois da tempestade surgem, trazendo o seu azulado, simbolizando as conquistas interiores, as tarefas compridas, as fases vencidas, os caminhos seguidos, os conteúdos aprendidos de uma vida vivida, sinto cheiro das flores orvalhadas me falando de renovação, sinto o gosto das cerejas me convidando a sorrir e de novo correr e brincar, afinal a vida é bela.


E o meu quintal, há! O meu quintal! Se ele pudesse te contar os infinitos pensamentos, que por tantas vezes me fizeram chorar, outros tantos que de sorrir quase perdi o tempo em que me detive ali, e meus sentimentos todos com ele compartilhei, como amigo fiel nunca me jugou e em seu colo sempre me apoiou, fiz planos, sonhei acordei, vivi e me escondi, tentei fugir, enfim entendi um pouco do que nem sabia que buscava, e em seus braços sempre sei que um sorriso encontrarei, eis meu amigo, meu quintal, pedaço de mim.

Anna Lírios

***


Esse texto foi construído em um período bem desordenado da minha vida em que meus sentimentos oscilavam de um dia ao outro. Em um dia eu estava super feliz, no outro hiper-triste, em outro com esperança e outro feliz novamente, e o ciclo vicioso continuava reinando em seus altos e baixos. Após um dia de esperança que tinha tido o seu antes de tristeza, eu estava no meu dia feliz a contemplar a essência do meu quintal, e me pus a perguntar como eu podia me desanimar ao ponto de não enxergar tamanha doçura, brilho, paz que meu quintal me oferecia???
Daí nasceu esse texto, espero que gostem.

Hoje ainda tenho os dias cinzas, eles adoram me visitar, a boa notícia é que tenho tentado  transformar o ciclo em espiral... 

Tenho tentado fazer amizade com o cinza. Uma tarde dessa até ofereci café a ele, convidei para sentar, e tentei de verdade ouvir suas conversas, seus desabafos, seus motivos. Confesso que me surpreendi, eu não sabia da vida dele, por tantos anos eu o juguei sem antes lhe ouvir...  

As poucos vou jogando as cores da amizade, da confiança e da ajuda, quem sabe dando umas pinceladas de amor, um dia esse cinza esteja mais para um azulado celestial... 

Acredito que não é só o que você vê... Seria como você vê e como se sente... 

Anna Lírios 



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terça-feira, 14 de junho de 2016

O que queremos hoje?

Todos os dias acordamos com novas possibilidades de planejar, sonhar e principalmente realizar.

Terminar aquele projeto do dia anterior ou colocar em prática o plano traçado para o dia de hoje.

Termos em mente um objetivo de vida é fundamental para nossa realização pessoal e nosso crescimento funcional.

Nem sempre o que queremos hoje ainda o desejamos no amanhã com a mesma intensidade, daí a importância de compreender que, para planejar uma vida com vida, é preciso reconhecer, e conhecer, que temos vida própria; é fundamental conhecermos a nós mesmo.

Esse encontro com nós mesmos, vai nos permitir alcançar uma compreensão e uma aceitação de quem realmente somos.

Quando então formos capazes de nos reconhecermos como sendo um ser individual e coletivo, que vive em sociedade e quem tem suas singularidades, estamos a caminho de nos compreendermos, e assim também seremos capazes de planejarmos o que certamente realizaremos.

Apenas sobrevivemos quando não temos coragem nem de nos enfrentarmos cara a cara, nos despindo de todas as personas, mascaras, enredos e biografias, que foram arquitetadas no decorrer da existência, de forma muitas das vezes fria e calculista, com o pretexto de sobrevivência, esse, continua realmente só sobrevivendo.

Sobrevivemos quando aceitamos a ilusória armadilha de “viver” um dia de cada vez, sem se dar ao trabalho de pensar em um plano a longo prazo, porque isso exigiria muito esforço.

Sobrevivermos, e amargamente, quando tentamos fugir de todas as dificuldades, alegando querer paz e tranquilidade.

Esse comportamento nos torna acumuladores de tristeza, desanimo, baixa estima, raiva, revolta, rancor e outras tantas consequências desastrosas no campo emocional e físico.  

Tudo porque ignoramos a importância de sabermos quem somos, e o que queremos, e como queremos, e porque queremos, e como podemos alcançar o que queremos, e se queremos o que realmente é significativo, e para quem, ou o que, ou porquê. E nos recusamos a pensar, para não cansarmos, não nos entediarmos, não endoidarmos, para não dar fadiga, para continuarmos na mesmice de apenas sobreviver.


No fundo estamos apenas nos escondendo de nós mesmos, não queremos nos conhecer, temos medo de sabermos quem realmente somos e o que queremos, temos medo de não aguentamos a verdades escondida a sete chaves, temos medo de não nos amarmos e, pior que isso, temos medo de não sermos amados e aceitos.

A vida é tão viva e tão cheia de vida. O que fez ela para merecer tamanha condenação, ser vivida mecanicamente, ignorando toda a sua diversidade e propriedades curadoras. Ela é relegado ao automatismo do dia a dia; sobrevivemos no piloto automático.

E, como diz o ditado popular, vamos empurrando a vida com a barriga, e tudo vai sendo mesmo empurrado, mas é de precipício a baixo. Lá se vão nossos sonhos, nossa missão, nossos planos, projetos, nossa vida, nosso eu que se esmaga, se esconde medroso e covarde, e como se não bastasse todo o sofrimento que atraímos para nós mesmo, espalhamos desânimo e tudo de ruim, que alimentamos, cativamos, diariamente em nossa casa mental, onde extravasamos por todos os poros mentais o nosso lixo tóxico.

Como um vírus, contamina todos que estão com baixa imunidade(baixa auto-estima), independente de quem são, os mais próximos são os primeiros a serem atingidos e adoecerem.

Como todo vírus, ele sofre mutações, e a depender do organismo do infectado ele pode até levar ao óbito.

Se você está “vivendo” um dia de cada vez, sem ter tempo de planejar ou parar para pensar e analisar, o que está sendo feito e o porque, muito cuidado, você pode ter sido contaminado pela mesmice de apenas sobreviver.

Na dúvida, marque uma consulta com você mesmo, e faça alguns exames de consciência, prevenir é bem melhor que remediar. 

Anna Lírios

***

Esse texto foi escrito em um momento da minha vida em que eu não suportava mais o meu dia-a-dia, sentia-me sem vida, sem sonhos, sem um propósito definido, sentia-me com uma forte necessidade de mudanças, eu já não sabia mais quem eu era, o que eu queria, eu não mais me reconhecia.


Passei um longo tempo pensando em minhas atitudes e meus sentimentos, tentando me compreender, me entender, descobrir quem eu era agora e o que eu sentia, o que me movia, tentei me encarar frente a frente, despindo-me a alma, arrancando todas as máscaras.

Não sou contra vivermos um dia de cada vez, contanto, que ele seja como resultado de um planejamento, que saibamos o que nos move, que tenhamos sonhos, objetivos alcançar e que pelo menos busquemos entender o porque de nossas atitudes e sentimentos.

Esse caminho do conhecermos a nós mesmos é uma busca diária, é um estudo continuo.

Se queremos realmente resultados, temos que ter o hábito de nos avaliarmos, nos estudarmos com afinco, porque as provas, as benditas provas são diárias, na escola da vida não tem como pescar, cada um pratica o seu real conhecimento. 




Texto e fotos de Anna Lírios

terça-feira, 7 de junho de 2016

Bosque das borboletas.


Era um lugar mágico. Com certeza, sua beleza inspirava sossego, leveza, pouca luz, alguns tímidos raios cintilantes adentravam as folhas, tornando tudo mais belo, vento suave com agradável aroma de paz, as folhas secas formavam-se gracioso tapete, a sonância ali presente era celestial, cenário encantador com tantas diversidades de cores espalhadas pelas exuberantes borboletas que pairavam no ar de sua casa, sua bela morada.

Todos que por ali passava sentiam a alma espreguiçar, em um convite constante à meditação. 

A força na natureza ali presente reunia um misto de energias edificantes, curadoras. Muitos relatam suas experiências ali vividas como sendo algo milagroso, uns afirmam terem se encontrado, outros que foram libertados e ainda há os que acreditam ter encontrado Deus.

Havia ali um cuidador, que amava seu trabalho, e a tudo zelava em suas minúcias, estava sempre atento para a harmonia do ambiente, diariamente purificava o ar, os sons e a luz; saía a selecionar aromas. Pela manhã trabalhava com o orvalho, deixando aquele santuário da alma ainda mais reluzente.

Recebia todos os visitantes com muita alegria, tentando lhes transmitir o máximo de paz possível, tratava todos como únicos, lhes oferecia sempre o que tinha de melhor, aplicava-lhes passes, ouvia todos os desabafos; enxugar lagrimas fazia parte de sua rotina. Sempre serena sua presença já era oásis benfazejo, sua alegria era servir seus visitantes, lhes proporcionando paz interior, e para isso não media esforços. Sempre que podia convidava pássaros para lhes ajudar nas melodias terapêuticas, e nas horas vagas lhes treinava o gorjeio; os rouxinóis as andorinhas os beija-flor entre outros estavam sempre dispostos a cooperar.


E assim passavam-se os dias, e o nosso amigo parecia incansável em seu benéfico trabalho de ajuda. Por ali já tinham passado tantas pessoas que seria quase impossível contá-las. Como pode uma sombra entre árvores atrair tantas pessoas necessitadas...!? O bosque das borboletas era realmente um santuário de luz e harmonia; os que se refugiavam ali como a serenar no colo materno, estavam sedentos de paz, com a alma faminta de esperança, em busca de um milagre. Seu cuidador, que a todos acolhia de coração aberto, poucas vezes sua presença fora notada pelos visitantes; muitos deles ali estavam na fé duvidosa; uns sem acreditar ou mesmo sem saber ou entender; apenas se sentiam abraçados pelas energias que o ambiente exalava, e pelos benefícios que recebiam.

Até hoje aquele bosque é frequentado e seu Espirito guardião está sempre a dignificar o aconchego para os visitantes. 

Anna Lírios


***
Esse texto foi inspirado em meu quintal, onde cultivo várias plantas. 

Tenho a bênção de poder nele estar, dividindo meus sentimentos diários e sendo agraciada por seus poderes curadores. 

Por muitas vezes me senti a conversar com o benfeitor do meu quintal, me senti, por ele acolhida.

Anna Lírios

  

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quarta-feira, 1 de junho de 2016

Somos os criadores de nós mesmo.



Hoje, acredito que seja um bom dia para escrever, me sinto diferente do habitual, meus pensamentos até parecem que não são meus, estou a sentir coisas que não saberei ao certo como descrever, porém, irei tentar. Não as reconheço como partes de mim, não sei de onde vem tudo isso, não entendo porque estou assim, uma forte vontade de escrever me arrebata, vou tentar de alguma forma registrar o que sinto nesse instante.

A vida é realmente vivida no universo individual de cada ser, é lá que tudo se processa, tudo se cria, ganha forma, sentido, vida e por fim, se liberta para o mundo externo, todas as respostas que buscamos diariamente, porquês, razões e motivos, suas origens estão no mundo das ideias, o mundo real. O mundo físico, material, externo como conhecemos, é apenas um reflexo do que vivemos no mundo real, que é o mundo não físico, imaterial, interno, o mundo das ideias.

É bem provável que, em um fim de tarde choroso e sombrio, onde o céu veste o seu luto, e os poucos sons que escutas é de um cata-vento que ruge em suas ferrugens de esquecimento, aquela antiga cadeira de balanço já sem vigor que grita suportando sua luta, enquanto balança o teu cansado corpo, que carrega um espirito sem saber se este ainda está, ou não, nesse mundo material, onde a brisa fria já te visita, te dando um presságio da noite frias que te espera, um relógio antigo na parede onde você escuta o seu tique taque, como a contar suas horas.

Estais no alpendre de tua casa grande, antiga e solitária, onde outrora viveste tua mocidade, compartilhando tua caminhada sofrida, porém com muitos risos, casa sempre cheia de gritos e sorrisos largos, crianças e animais cresceram juntos na maior euforia, tempos dourados com teus filhos e esposo, os filhos cresceram já são adultos, de tempos em tempos, lhes trazem os netos, perolas preciosas em teu pescoço são os abraços deles, te recordas de teus filhos na terna idades. Seu esposo companheiro de todas as horas, há muitos anos fez sua viajem, deixando grades saudades.

Hoje sua casa é um enorme vácuo, escura e silenciosa, cheira saudades, pura nostalgia, mobília antiga, todas carregada de sentimentos, cada objeto cada canto guarda um pedaço-- tem um pedaço—é um pedaço-- de você, de sua vida. Suas companhias são os pássaros que estão sempre a cantar, nesse momento eles festejam os últimos raios de sol, como um hino sagrado de agradecimento a Deus. Tens um gato medroso, que já está a mia com medo da noite, e um cachorro que está a latir com as sombras que se aproxima.

Seu jardim, suas roseiras e seus jasmim, sempre a perfumar os seus dias. Um grilo cantador, que sempre lhe visita, fazendo uma verdadeira orquestra, aquele som que vai e volta em uma repetição eterna do eco. Eis uma viúva solitária, arrodeada de antigas e profundas lembranças, são tantas recordações ainda viva, que até o vento sussurra em teus ouvidos, te contando histórias que viverdes noutros tempos, a poeira guarda tuas fotos, que retratam os anos dourados e estão espalhadas em todas as paredes.

A noite finalmente caiu, hora de entrar e fechar as portas e janelas, o vento se desespera a correr, não quer ficar ali preso, quer ser livre, prefere ficar com as roseiras cá do lado de fora, os jasmins fiéis a sua cuidadora, espalha seu perfume, aromatizando a casa com seu adorável cheiro, que permanecera até o dia seguinte, quando novamente as portas serão abertas. Seu leal protetor, late, dessa vez, buscando forças para aparentar firmeza e bravura, como quem lhe diz: “Não temas eu estou aqui”.

O gato nessa hora já está deitado esquentando a sua, grande e fria cama, na esperança de amenizar a frieza da noite. Você calmamente janta seu mingau de aveia, se ajeita para dormir, ao deitar com seu gato a chuva cai forte, você faz suas preses enquanto a chuva lá fora só aumenta, ventos fortes, trovoes, cata-vento rangido, cadeira de balanço em um desespero só, as telhas a cantarolar com o som da chuva caindo, os galhos das plantas se debatendo, grilos, sapos, e tantos outros insetos felizes a cantar, o gato se encolhe cada vez mais.

O pobre cachorro que uiva sem parar, chora feito um bebe para entrar em casa, com grande dificuldade você se levanta, vai até a porta e abre uma pequena brecha por onde ele passa correndo feliz a latir lhe agradecendo, você improvisa um cantinho bem quentinha para ele, e volta para sua cama. Você não consegue dormir, em seu mundo mental, agradece a Deus, por tudo que viveu e que vive, se alegra muito em admirar as belezas da natureza e viver em harmonia, hoje se sente mais viva do que nunca, consegue entender muitos das razões e pôr queres, que tanto buscava, desvendou seus mistérios, superou suas amarras, venceu muito de seus temores.

Você é livre, realizada, se sente lucida com seus 100 anos, mesmo com grandes dificuldades ainda ler seus livros favoritos, escreve seus textos e faz a sua sagrada Yoga, ouvindo suas músicas clássicas -- o pancadão da Enya -- que te lembra seu eterno amor, hoje tudo parece ter mais luz, ser mais claro, fazer sentido, a felicidades é quase uma constante, seu munda das ideias nunca esteve tão radiante e cheio de vida, eis feliz e realizada.

Como eu dizia no 3° parágrafo dessa história,É bem provável que, em um fim de tarde choroso e sombrio, onde o céu veste o seu luto...” Em uma realidade onde tudo parece conspirar para o medo que mata, o desanimo que enlouquece, a tristeza que deixa tua alma em profunda depressão e desencanto da vida, a solidão e invisibilidade física, que poderia te prender nas escuras selas do abandono e amofinamento do desejo vital de existir, você consegue não se abater.

Simplesmente você está em outra vibração mental, em outra realidade no mundo das ideias, e o que para uns seria caso de morte para te e motivo de contentamento, o mundo a tua volta não determina o que sentes, o que sentes e o que determina o teu olhar para o mundo físico, não é o que você ver e como ver, como sente, como reage, como age, como vive o que já existe dentro de ti.


O verdadeiro mundo é o mundo das ideias, e não o mundo físico, esse é apenas o reflexo do primeiro. 

O mundo físico é a soma de tudo que há no mundo das ideias. Somos assim criadores dos nossos heróis, igualmente somos criadores de nossos vilões. Criamos tudo, somos criadores de nossas necessidades, vontades e desejos, sonhos medos, desafios, limites e vida.

Anna Lírios


***

Esse texto foi construindo de forma diferente do meu habitual.
 Fui inspirada de forma mais ostensiva, senti uma vontade muito forte de escreve, quasse incontrolável, repentinamente me senti com novo animo, e uma lucidez que eu não reconheci. Peguei lápis e papel e comecei, sem pensar antes, sem ter noção do que iria escrever foi escrevendo e as ideias foram chegando, tive uma certa dificuldades de organizar tudo, de passar para o papel. De certa forma acredito que houve tipo um filtramento do que me foi inspirado.

Anna Lírios



Obs: que fique claro que acredito que somos o que pensamos diariamente, e assim sendo, podemos decidir o que pensar, como agir e em alguns casos direcionar nosso sentir, porem nunca poderemos modificar o outro, isso só cabe a ele próprio. A mudança é sempre de dentro para fora, e assim sendo, somos criadores de nós mesmo não dos outros. Não podemos impedir alguns acontecimentos em nossas vidas, porem podemos decidir como reagir, podemos trabalhar nosso pensar, agir e sentir.


Anna Lírios



Texto e fotos de Anna Lírios
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