terça-feira, 27 de setembro de 2016

Abraçando com os olhos as cores da primavera



Era mais uma quinta feira normal, como tantas outras. Pensava eu até aquele momento em que Samuel chegou da escola com seu irmão; seus olhos a brilhar demostravam um contentamento fora do normal. Muito apressado mal se desfez de sua farda e mochila e saiu correndo para o quintal a falar do início da primavera que sua professora lhe dissera que estava próximo.

Soltei as verduras (parei de cortá-las); enquanto lhe acompanhava com o olhar, tentando explicar que aqui no Nordeste não sentimos a primavera como no sul do Brasil. Meu esforço foi em vão; antes que eu formulasse qualquer frase, ele saiu à procura da tão esperada estação das cores, me deixando a falar só, cá com minhas panelas. Em seguida o mais novo percorre o mesmo caminho, e os dois ficaram no quintal a falar do que aprenderam na escola sobre aquele evento. Era bonito de se escutar; meu coração voltou a ser criança de novo. Nesse momento até esqueci que moramos no Nordeste e que na prática só sentimos duas estações: inverno e verão.

Antes que eu aprontasse todo o almoço, escuto os gritos eufóricos de Samuel, “mãe, mãe vem ver o que a primavera trouxe pro nosso quintal. ” Não pensei duas vezes, peguei o celular e mergulhei naquele clima mágico em busca do maravilhoso. Deixando o almoço em segundo plano, segui com passos rápidos em direção ao meu quintal. Com o coração de criança cheio de sonhos, meus olhos agora pareciam os dos meus filhos à procura do maravilhoso, e o maravilhoso era real e estava ali, e eu estava ali -- mesmo sem acreditar –, e eu estava a ver, e me senti em um verdadeiro desfile de beleza e cores a festejar a chegada da primavera.

Meus olhos sorrindo abraçaram aquela cena linda, que já estava sendo contemplada com tanta ternura por meus filhos que quase imóveis estavam a sussurrar: “mãe, filma, filma. ” Levei um tempo para processar todas aquelas informações que eu estava a vivenciar; o momento mágico em que a mãe Natureza veste suas cores muitas, espalhando seu belo colorido, encantando as almas de todas as idades com seu festival de cores, aromas e beleza nos convidando a sorrir e abraçar com os olhos todo o seu esplendor, nos lembrando de renovação, de esperança, de paz.

Com muito cuidado posicionei o celular e filmei, registrei e guardei para sempre em minha memória a cena, todo aquele sentimento contido nela, e tudo o que ela significa. 

Primavera, estação das flores, cores, amores; é tempo de semear, se encantar, sonhar, tempo de esperança, de renovações, de paz e luz. É tempo de olhar o mundo com o olhar das crianças cheio de pureza, deixando fluir o imaginário e sentindo com todos os sentidos o momento – instante – vivido.

A beleza começa no coração e nos olhos de quem as vê.


AnnaLírios





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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Uma prévia do futuro



Estamos sempre almejando algo no futuro, por vezes sonhamos por anos ou décadas; algumas dos sonhos até chega perto de acontecer, mais por algum motivo os vemos se esvaírem entre nossos dedos, nos deixando com água na boca, e o olhar perplexo a indagar o porquê do acontecido que resultou no não acontecido...?

Hoje cedo eu estava na fila do pão (literalmente) no momento em que a padaria abria suas portas, e fiquei a escutar (eu não tive escolha, eu precisava chegar em casa com o pão. rsrs) o dilema de duas senhoras que “disputavam” insatisfação em suas narrativas; falavam de planos vários que deram errado e todo o sofrimento da espera e decepção.  Nesse instante recordei de meus anseios que de certa forma tinha semelhanças, a grande diferença estava na forma talvez de vê-los de planejá-los; eu fiquei a pensar nos comportamentos tão diversificados de cada pessoa; a forma mágica como cada um tem seu próprio jeito de encarar a vida... 

Sei que as pessoas não são iguais; cada indivíduo carrega seu universo singular, com seu leque de experiências e assim sendo carregam seu mundo de sentimentos e pensamentos, bem característico de cada ser.

Lembrei-me de uma pessoa especial em minha vida.

Tenho o privilégio de ter como irmã uma pessoa ímpar em sua visão de mundo e caminhada de vida. Ela como uma das mais velhas de uma família de seis irmãos, desempenhou muito bem o seu papel de irmã cuidadora.

Desde quando minha memória me permite lembrar, que recordo de seus sonhos e planos, ela constantemente estava a me ensinar sobre as coisas que vemos antes mesmo delas acontecerem, ou melhor se concretizarem no mundo físico.

Ela sempre dizia: “Lelé, (gente sério, deixa eu explicar esse apelido!!! Como caçula que sou, tinha que ter um apelido engraçado, rsrsrs, meus pais dizem que esse apelido carinhoso foi me dado pela minha irmã um ano mais velha que eu, como ela não sabia pronunciar meu nome me chamava de Lelé, daí já viu né!? O carinho rendeu até a minha adolescência. Hoje só os mais antigos me chamam assim.)  Continuando e repetindo: Ela sempre dizia: Lelé eu só tenho certeza que uma coisa vai acontecer quando eu vejo.... Se eu não ver antes, pode ter certeza, não acontece. ”

Embora essas lembranças sejam bem antigas eu sempre ouvia com atenção o que ela falava e acreditava sem questionar, mesmo sem entender direito como era, eu sabia que de alguma forma era como ela dizia e isso me bastava.

Quando cheguei na adolescência fui aos poucos compreendendo melhor o que ela queria dizer com “o ver antes de acontecer, ” era o ver no pensamento. Se em pensamento ela visse aquele sonho (sonho aqui está no sentido de qualquer acontecimento – coisa - que ela desejasse fazer ou que acontecesse, no futuro próximo ou distante) era o sinal que daria certo.

Somente na fase adulta, tive o desapego necessário para ter essa experiência de vivenciar aquelas palavras, de vivenciar o ainda não acontecido, vivenciar uma prévia do futuro, o futuro que ainda não é chegado no presente. E só assim pude experimentar o assimilar daquele precioso ensinamento. Vi que não se consistia em apenas ver com o pensamento de forma contemplativa o futuro. Não era só isso. O pensar tem que ser construtivo, no sentido real da palavra.

É preciso vivenciar em pensamento todo o processo de construção até a realização final, o pensamento precisa ser dinâmico, crítico e realista, delineando toda a situação, imaginando os pós e os contras, se imaginado na situação e tentando prever todos os possíveis empecilhos e já tendo em mente uma possível solução.

Se conseguirmos acompanhar em pensamento (como uma vivência) a realização do que almejamos, acompanhando assim todos os passos, vendo toda a sua construção, teremos em nós uma certeza tão grande se vai ou não dar certo, que chega a ser espantoso.

O vivenciar em pensamento nos ajuda a nortear um caminho a seguir e traçar nosso plano de ação.

Nem sempre é fácil realizarmos um sonho, pois, sabemos que na maioria das vezes não depende somente de nossos esforços, mais aprendi que a parte que depende de nós, vale a pena nos empenharmos; trabalhando com coragem e determinação para a sua realização.

Hoje sempre que vou realizar algo, submeto a uma vivência de pensamento (o ver antes de acontecer). Amo fazer essas vivências debaixo de minhas árvores no silêncio barulhento do meu quintal, arrodeada pelos mimos da mãe natureza. Gente, essa é com certeza uma verdadeira viajem na máquina do tempo, destino: uma prévia do futuro em seus detalhes, se possível.


AnnaLírios



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terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que são mesmo as nossas Amarras?


Ontem li um texto interessante, falava da sociedade e dos padrões estabelecidos e questionava quem nos prendia, ou quem nos manipulava, quem ditava as regras.... Hoje, quem é mesmo o nosso opressor ou ditador? Quem determina nosso comportamento, desde o físico ao não físico?

Esse texto fez barulho na minha cabeça, ele gritou muito alto, acho que acordou minha consciência e me deixou meia desorientada, como costumo dizer: fez um nó no meu juízo.

A cada pergunta que eu conseguia formular ou questionar, tantas outras se formavam, surgindo não do nada; parece até um redemoinho de ideias, destruindo, devastando, tudo que ali já estava posto, ou está posto, ou imposto, sinalizando talvez o tempo da renovação, da seleção, limpeza, ou nova construção, não sei.

Afinal, quais são mesmo as nossas amarras?

Acredito sinceramente que o fato de questionarmos o que jugamos abstrato, formar o conceituado concreto.

O mundo das ideias pode parecer viajem, no sentido de perca de tempo, de miolo de pote, como diríamos nós Nordestinamente; no entanto, se feito com objetivo, na busca de uma possível construção de melhoria pessoal ou coletiva, certamente, chegaremos em pontos positivos.

Fiquei pensando cá com meus botões.... Ainda estou em construção de pensamentos, até esse momento, tudo me leva a crer que nossas Amarras, as que verdadeiramente nos prendem e nos impedem de progredir, não são as externas, quer físicas ou não físicas; creio eu que se trata de algo bem mais sutil e também complexo; no entanto, a depender do desenrolar do raciocínio possa ser bastante simples e clara.

Penso que, se não a localizamos, não temos opção de escolhas. Se, por outro lado, achamos que seja o que na verdade não é de fato, do mesmo modo também não conseguiremos superar.

De propósito, e sem queremos perceber, nós escondemos de nós mesmos a verdade, (que pode ser ela relativa ao ser que a encontra ou a busca,) e ela é, e está, tão absolutamente abaixo do nosso nariz, que acreditamos que assim não seja.

Volto à estaca zero, ou ao ponto de partida novamente, sendo que, dessa vez, não é a primeira vez que passo por aqui. Isso me leva a crer, que, como um viajante, retorno ao mesmo ponto, mais não como o mesmo, pois não sou mais o mesmo, pelas ideias muitas que agora trago comigo.

O que nos manipula o raciocínio?

O que determina a direção do nosso olhar, atenção?

O que valorizamos na vida?


O que nos prende?

O que são mesmo as nossas Amarras?


AnnaLírios


Fotos e texto de AnnaLírios



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terça-feira, 6 de setembro de 2016

Almas sem roupas.

 Fotos: AnnaLírios

Nasci e me criei em costumes rígidos, a comparar com os dias de hoje, onde não se questionava a autoridade dos mais velhos, se tinha uma ingenuidade e uma fé muito grande no que era nos ensinado, diria fé verdadeiramente cega. Não se discutia, não se perguntava o porquê de nada, a fala de um adulto bastava, era assim porque era assim e pronto, sem nada a mais. Em alguns casos era considerado uma falta de respeito teimar (insistir) sobre algo, ou até pecado quando se referia as coisas de Deus.

Desde criança que o medo de ficar despida é muito forte em mim, pois apendi que era muito feio, o Papai do Céu não gostava, era um pecado, e o nosso anjo de guarda se afastava de nós, nos deixando sozinhos; isso me atormentava muito, como criança e criada na fé católica tradicional, ficar sem a proteção do anjo de guarda era o pior castigo.

Durante muitos anos até na fase adulta eu tinha pesadelos. De repente eu me acordava já no desenrolar do sonho onde eu sempre me encontrava em estado de muito constrangimento, ou dentro de um banheiro de escola, ou em um local público sempre com muitas pessoas e eu estava sem roupas tentando sair daquela situação de horror, eu não entendia o porquê dos sonhos.

Quando eu acordava eu pensava: se isso for um aviso, é só eu andar sempre com uma peça a mais; afinal as roupas cobrem nosso corpo, resolvido problema. Não sei por que o medo ainda insistia em me incomodar e os pesadelos também.

O tempo passou, somente o tempo… As coisas foram mudando de nome e de endereço, hoje com uma compreensão maior sobre o nu e as vergonhas, surge um novo despir e com ele novos temores e pesadelos. As vestimentas que usamos para cobrir nosso corpo físico não cobrirão esse novo desnudado.

Meu primeiro medo era de perder minhas roupas. Eu tinha domínio sobre elas, somente eu as perdia. Meu segundo medo, o atual, é do novo despir. Esse eu temo que alguém tire minhas vestes, nesse eu já não tenho o controle, estou à mercê de outros. Embora nos dois casos seja preciso muito conhecimento do meu real eu, tenho esperanças que o foco não seja as vestes e sim a capacidade de não ter o que esconder. Antes eu temia por meu corpo, hoje temo por minha alma.

O que é uma alma despida...? O que seriam as vestes da alma...? O que as roupas cobririam...? O que elas descobririam...? O que são as vergonhas da alma...? Por que as palavras e atitudes nos desnudam...? O que mais nos desnuda a alma...?

Nesse contexto, roupa ganha outro significado. Uma veste que cobre o que palavras e atitudes descobrem. Logo se percebe que não se trata de uma roupa convencional, de tecido como conhecemos, é algo mais sutil, abstrato eu diria. Acredito que todos nós tenhamos essas vestes, e todos nós estamos sujeitos a ficar sem elas, por razões diversas e próprias de cada ser.

Isso explica o porquê de, mesmo cobertos da cabeça aos pés, por vezes nos sentimos despidos diante de certas circunstâncias.

Até aqui, a ideia de termos nossa alma despida soou como algo constrangedor, obsceno, como se tivéssemos vergonha de quem realmente somos, e a qualquer momento alguém ou nossas atitudes pudessem nos descobrir. "Valei-me meu Deus do céu a máscara caiu e o mundo desabou”.

O copo pode estar apenas meio cheio, e o fim do mundo pode não estar próximo, dessa forma se tentarmos analisar o caso por outra perspectiva, podemos perceber que se trata de algo verdadeiramente bom, oportunidade ímpar; como uma bússola, saberemos onde melhorar, onde necessita nossa atenção. Assim de alma lavada e despida viveremos em paz como já é para algumas pessoas.

Algumas pessoas já conseguem viver com suas almas despidas, desprovidas de quaisquer artifícios. Vivem a se encarar frente a frente, em suas lutas de melhoramento pessoal, e de alto conhecimento diário, o que os fazem com certeza mais felizes e mais verdadeiros. Consciente de sua caminhada, vivem de forma mais plena.

Feliz o homem que tem a coragem de despir sua alma.

Feliz seria a humanidade que exaltasse as belezas da alma, em vez de se perder nos ornamentos de suas vestes. 

AnnaLírios 





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AnnaLírios

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