quarta-feira, 13 de julho de 2016

Gatilhos da vida.


Quem nunca sentiu aquela impressão de que já conhece aquele lugar, já esteve ali, aquela paisagem lhe é familiar, de alguma forma, sente que já viveu aquele momento, ou naquele cenário. Tem leves ou fortes impressões de que já conhece aquela pessoa, mais de nada lembra, só sente...?

Podemos ter essas lembranças tanto em ambientes físicos como em situações ou com pessoas. Às vezes o gatilho para essas lembranças é uma música, um som, uma frase, um aroma, um sabor, uma estampa, uma textura, um gesto e na velocidade da luz nos transportamos para um momento no tempo e no espaço que não conseguimos identificar, só sabemos que estamos vivenciando algo já vivido em algum tempo, que não lembramos mais, só guardamos os sentimentos.

Essas impressões são tão fortes, que não nos deixam dúvida, estamos diante de uma repetição, a depender da carga emotiva que ela carrega, tanto podemos sentir profunda alegria como grande tristeza, às vezes podemos dar crises de risos ou chorarmos compulsivamente, e nos casos leves, sentimos tudo com leveza, tendo a certeza mesmo sem conseguir expressar com palavras, sabemos que de alguma forma já vivenciamos aquilo em algum tempo.

Às vezes essas saudades chegam sem um motivo aparente, aperta forte o peito sufocando a alma, procuramos o porquê, o que é, mas nada encontramos, sentimos forte saudades do que não sabemos o que é, queremos reviver não sei o que. Em alguns casos chegamos a criar imagens tentando de alguma forma nos transportar para outra dimensão, sentimos como um forte chamado, parece que algo em algum lugar do cosmo nos pertence.

Um dia, em uma viagem, parei em um posto de gasolina, enquanto o carro era abastecido me afastei um pouco olhando a paisagem, as árvores, as flores e os pássaros, logo a frente avistei em uma sobra um banquinho, caminhei até lá e me sentei, continuei observando aquele lugar lindo. Os meus sentimentos eu já os sentia diferente, quando eu olhei para o meu lado direito, eu já não me reconhecia, eu não era mais eu, aquela paisagem que se descobria a meus olhos, aquele campo profundo em seus verdes, me levou não sei dizer para onde, só sei que eu queria com todas as forças do meu ser, viver aquilo tudo novamente.

Em um outro dia eu estava ouvindo uma canção que fez grande sucesso, muito antes do meu nascimento. Essa experiência foi diferente, com a música consegui sentir cheiro que nunca senti, consegui ver pessoas com vestes antigas, senti fortes saudades, mas também não sei bem do que.

Eu tive uma amiga durante um bom período de minha vida, que tínhamos forte ligação, eu a conheci já em sua adolescência, logo nos tornamos melhores amigas, eu diria até que fomos almas gêmeas, amigas-irmãs tamanha era a nossa conexão. Me recordo que quando ela me falava da infância dela eu sentia forte saudades daquela alegria que ela me narrava, eu não entendia e às vezes eu expulsava aquele sentimento, eu pensava: “Não pode ser normal, sentir saudades de vivencias que não vivi”. E nesse caso como eu podia sentir saudades do passado dos outros que eu nem lá estava...?
Uma coisa eu aprendi com o tempo, nem tudo passa, às vezes as coisas só mudam de nome e endereço.

Anna Lírios

***

Resolvi escrever sobre minhas impressões a respeito desse assunto para tentar de alguma forma compreender como, e principalmente por que, acontecem esses gatilhos, uns até sabemos ou imaginamos qual seria a sua causa, o que o despertou, outros porém não conseguimos sequer identificar o que lhe desencadeou e muito menos o seu propósito. 

Essa foto é um gatilho compreendido, eu olho para ela e lembra da tarde em que esse visitante me surpreendeu com sua leveza e paz.

Porém minha maior inquietação é a respeito das lembranças que não vivi e que também não foram vividas por ninguém que eu tenha tido conhecimento, ou seja, lembro e sinto saudades do que não vivi e nem sei quem viveu. Como a "música" que me remete ao um tempo e a imagens que sei lá de quem são ou de onde vêm...  

Como já falei em outro texto uma fração de segundos que pode carregar um mar de sensações, um simples instante e tanto podemos sentir, e mais ainda guardamos como a poupar para sentir mais tarde, esses temos como compreender.

Algumas lembranças, tenho a impressão que, com o tempo foram realmente multiplicadas as emoções, como se diz de um bom vinho, quanto mais velho mais sabor tem. 


Foto de Anna Lírios

"Um dia eu escrevo sobre essa foto, sobre esse visitante que em uma tarde me roubou risos e deixou meu coração feliz a meditar sobre a vida..."


2 comentários:

  1. Gente que texto lindo! Sua escrita é maravilhosa, difícil encontrar uma blogueira que sabe usar tão bem o uso dos porquês! Estou impressionada e apaixonada pela sua escrita!
    Beijos ❤
    Jardim de Palavras

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  2. Melissa Moreira, fico muito contente com suas palavras, é sempre muito bom encontrar pessoas que se identificam de alguma forma com nossas inquietações, percebemos que não somos sós em nosso pensar e sentir, e isso é maravilhoso. Também lhe visitei, adorei o que li, já estou lhe seguindo, as poucos vou lendo mais!!!
    Obrigada pela visita e por comentar!!!
    Volte sempre!!!
    Paz e Luz!!!
    Abraços ❤

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AnnaLírios

Obrigada por sua visita!!! Volte sempre!!! ❤ Um Abraço ❤ Paz e Luz!!!

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