terça-feira, 5 de julho de 2016

Alento para a alma




Enormes tormentos nos visitam, nos fragilizando o íntimo: grandes dores, profundas tristezas, eternas saudades, sensação de morte. Assim nos sentimos na maioria das vezes em que a separação física nos sobrevém. Embora esteja bem perto, dentro do nosso coração, está longe do nosso olhar, nosso abraçar. Os sentimos com todas as forças do ser, mas, não mais tocamos. A sensação de que não veremos mais o mesmo riso, o mesmo olhar, a mesma presença, não viveremos mais novas histórias, sendo os mesmos personagens, paralisa o nosso viver e a angúst,ia e o desalento nos arrebata de súbito nos torturando sem trégua.

Aqueles planos para o futuro não acontecerão mais, as palavras que não foram ditas, os momentos que não foram vividos, os sentimentos que não foram expressados, as ligações, afeições que nem imaginávamos que existiam, e que saltam desesperadamente, rasgam nossa alma a despedaçar todos os ossos sem piedade, dilaceram nosso ser, não temos mais forças para pensar, é como se todos os pensamentos tivessem se esvaído, só restasse o pungente vazio daquela terrível realidade.  

É aqui que muitas vezes entra a importância dos rituais (que é o conjunto de práticas consagradas por tradições.) e da simbologia (a arte de criar símbolos.). Tentamos através desses, cada um de acordo com suas crenças, nos aproximarmos, nos despedirmos ou nos apropriarmos de um objeto que nos remete a lembrança viva do ser amado: como uma vasilha que ele usava para beber água. Temos aqui uma parte, um pedaço dele, na certeza da união de sentimentos e pensamentos. Muitas vezes é através de toda a simbologia que os rituais carregam que aliviamos nossa dor, nosso penar. Temos em nossa fé um alento para nossa alma, que chora, grita e se desespera com essa grande dor que nos devora. Quando sepultamos, quando oferecemos flores, velas, orações, conseguimos lavar de certa forma, nossa alma com lágrimas balsamizastes. 
  
Um novo olhar é preciso, é necessário compreender os porquês da vida ou pelo menos tentar. Todos nós temos nossas impressões sobre a vida e a morte. Aqui uso esses termos porque eles são os mais universais. Não falo aqui de crenças individuais como sendo ou não sendo o certo ou o errado, falo de tentarmos refletir, entender o que já confessamos acreditar, falo de nos botarmos a estudo, a pesquisa, a reavaliações, a testes, para ver se as nossas atitudes, nosso pensar e sentir, condizem com as convicções que acreditamos abraçar. O objetivo é tentar entender segundo a nossa doutrina, o que acontece com os nossos sentimentos, com o nosso eu, diante das tempestades impetuosas da vida, e por fim tentar compreender o porquê das dores do mundo.

Anna Lírios

***


Esse texto foi escrito, em um momento de grande dor para mim, um ser muito caro fez sua viajem para outro plano não físico. A dor da separação nos faz rever nossos conceitos, nossa visão de mundo, existência, missão, caminhada e de valores.


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6 comentários:

  1. Olá, Anna!
    Conhecendo, lendo e gostando de seus textos e blog!
    Parabéns! Sigo-a.
    Abraço.

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    1. Muito obrigada Amiga Célia Rangel, fico feliz por você ter gostado!!!
      Obrigada pela visita e por comentar!!!
      Um abraço!!! Paz e Luz!!!
      Volte sempre!!!

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  2. Olá, Ana! Li seu texto e gostei... não do seu sofrimento, mas do seu desabafo através das palavras. Apesar de toda dor, acredite que há algo sempre maior e melhor, algo que talvez não possamos ao menos imaginar. E que Deus conforte o seu coração. Atenciosamente, Ester.

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    1. Amiga Ester, me senti abraçada com suas palavras... Muito obrigada por sua atenção!!! Sempre que passamos por grandes dores, temos também a oportunidades de sentimos a infinita bondade de Deus!!!
      Obrigada pela visita e por comentar!!!
      Um abraço!!! Paz e Luz!!!
      Volte sempre!!!

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  3. Olá Anna,

    Vi que você me adicionou no google e vim dar uma espiadinha em sua página. Por coincidência, hoje não estou num dos meus melhores dias, pois no dia de hoje, há dois anos atrás, estava me despedindo definitivamente da minha mãe, que passou para outra esfera espiritual. Perdas fazem parte da vida, mas nunca conseguimos ficar preparados para elas. Contudo, a fé nos ampara e nos aponta para o reencontro, que um dia acontecerá.

    Voltarei quando puder para conhecer melhor o seu espaço.

    Beijo.

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    1. Vera Lúcia, obrigada pela visita.
      É sempre muito gratificante podermos dividir nossos sentimentos, às vezes uma palavra um gesto nos ajuda tanto...
      A crença em um dia podermos novamente está com nossos entes amados, fortalece nossa fé na jornada da vida.

      Um abraço!!! Paz e Luz!!!
      Volte sempre!!!

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