segunda-feira, 2 de maio de 2016

Presa, dentro de suas verdades.




Vejo uma jovem mulher, pele branca, cabelos negros ondulados, abaixo dos ombros, corpo vultoso e belo, personalidade forte de uma meiguice quase ingênua, em meio uma multidão que lhe é indiferente, o cenário tem traços de um festival em uma cidade pequena, onde se reúnem famílias e pessoas de todos os gêneros, lembrou-me das quermesses, as ruas eram de areia, as pessoas sentadas nas calçadas em suas conversações, como a ignorar aquele pequeno grupo, de mulheres benfeitoras, que debalde, ajudava aquela pobre moça a minimizar as suas vergonhas. Ela, que já estava sem roupas, se desnuda a falar, se debate, como em um ato de loucura.

Com a alma despida e o corpo nu, parece estar alheia à realidade, perdeu o bom senso, ultrapassou as barreiras da sanidade, o mundo ao seu redor, não tem nem um sentido de ser. Age como se estivesse presa em um momento no espaço, em um ponto. Fixou o pensamento em algo, agora em sua mente, aquele momento, aquela ou aquelas cenas e suas verdades, são sua única razão de existir.

Muitos dirão, “Está louca, interna! ”, “Trancafia em algum canto. ”, “Prende ela longe de tudo e de todos! ”, “Caso sem jeito, pobre coitada. ”, “Tão jovem...”. Ficará entregue sua própria sorte.

Mas há os que acreditam, que de algum modo, possam trazê-la a realidade novamente, e para isso não medirão esforços. 
 
O que nos faz perder a sanidade?
Como uma pessoa se fixa em um ponto?
Como recuperar a sanidade?
Como sair da fixação?
O que nos leva a essa situação?
Porque, quais as causas?
O que é, porque é, como é?

Alguém teve uma ideia. Foi a cozinha, fez um café... E quando aquele aroma se espalhou no ar, chegando até aquela jovem, seu semblante mudou, e as poucos foi tendo consciência do que se passava.

O café aqui, se trata de uma metáfora, podendo ser qualquer coisa, que possuísse uma importância inigualável para a pessoa que estivesse nessa situação, fora da realidade. Acredito, mesmo sem ter conhecimento de causa, que uma das formas de resgate, seria trabalhar com o que a pessoa tem de melhor, tentar tocar seu coração -- sua alma -- para lhe salvar.


Anna Lírios


***

Essa história é baseada em uma visão que eu tive essa tarde, enquanto eu tentava dormir. Essa cena que eu descrevi se desenrolava aos meus olhos. Senti tristeza, angústia, desespero, aflição.... Senti uma dor no peito! Não sei de quem se tratava, me parecia um aviso, como a me alertar, das...

Verdades que enlouquecem.


Verdades que escravizam. 


Anna Lírios


Talvez você também goste de ler: Por que tem quer ser tão difícil tomar uma decisão? Foi escrito em um momento de muita duvida, onde eu tinha que tomar uma decisão importante.


Fotos e texto de AnnaLírios

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